Acontece em Yafo

Era uma quarta-feira a tarde, quando eu e minha amiga decidimos ir comer um malabi – uma espécie de pudim de leite com essência de rosas que tem gosto de mingau de maisena – aqui perto de casa.18191465_1535620929804116_619518715_n

Compramos o doce e comemos na divisória arborizada entre as faixas de carro da Sderot Yerushalayim. A opção para comer na hora era bem grande, e no final já estávamos mais do que satisfeitas.

Depois, minha amiga queria ver quanto custava um knafeh – doce árabe com queijo branco – em uma loja lá perto. Entramos na loja, e vimos o doce que já estava perto do fim. O atendente/gerente disse que o pedaço custava 20 nis (cerca de R$18,00) o que é meio caro.

Ele perguntou de onde nós somos, e disse que ia dar um “pedacinho” para experimentarmos. Sentamos na mesinha e ele chegou com dois pratos com um pedaço gigante do doce (foi bem difícil comer tudo). Ele disse que ia fazer um novo naquela hora e perguntou se a gente queria ver como era. Claro que fomos.

18191205_1535621186470757_1866190816_n

Enquanto trabalhava, explicava o que estava fazendo, os ingredientes, e ainda conversamos sobre outras coisas. Seu nome é Fadi, e ele é um árabe-cristão que mora com o dono do lugar.

Depois que ele terminou, nós três sentamos em uma mesa e conversamos por mais de 1 hora. Falamos sobre o conflito em Israel, sobre o preconceito que existe aqui, em suas mais variadas formas, até mesmo entre judeus. Ele brincou que ninguém gosta dos árabes-cristãos, mas que muitos dizem que eles são as melhores pessoas.

Contamos sobre o Brasil e sua atual situação. Ele achou que a violência era só nos filmes, e não de verdade. Ele também disse que ele pode nos ensinar hebraico de graça. Só ir lá com as dúvidas e ele ajuda.18191574_1535620856470790_1740541385_n

Quem diria que um passeio de 15 minutos se transformou em um encontro tão interessante, que nos rendeu algum aprendizado sobre o país em que vivemos? As pessoas por aqui tendem a ser muito abertas e dispostas a ajudar. Você nunca sabe o que pode encontrar nas esquinas de Yafo.

Se quiserem ir visitar o lugar e comer um knafeh sensacional:

Motran Candy – Yerushalaim Ave 84, Tel Aviv-Yafo

Yom HaShoah

Entre o início da noite de ontem (23) até o início da noite de hoje aconteceu o Yom HaShoah (Dia da lembrança do Holocausto).

É o dia em que lembramos as 11 milhões de pessoas que foram mortas durante o Holocausto. Tantas vidas e histórias que se perderam. Muitos sobreviveram para contar sua história, continuaram vivendo, mas nunca mais foram os mesmos.

18119220_1427554593968638_8467418587164834975_n

Ontem fui a um encontro, onde um dos sobreviventes compartilhou sua história conosco. Avraham contou que vivia em Viena, e deu alguns detalhes da sua infância antes e durante a chegada do nazismo ao país. Muitas de suas histórias parecem irreais, impossíveis de imaginar nos dias de hoje, e possivelmente naqueles dias também, até que aconteceu.

Ao falar do dia em que viu seu pai pela última vez, o carismático senhor se emocionou. E como não? Como aceitar que, por uma “crença” infundada, tantas crianças se despediram de seus pais tão cedo?

Hoje (24), às 10h, sirenes tocaram em todo o país durante dois minutos. Nesse intervalo, todas as pessoas pararam o que estavam fazendo, fizeram silêncio, e refletiram. Lembrar para jamais esquecer.

18073246_1531578826874993_740982379_n

Pessoas imóveis na rua, todos desceram de seus carros, parecia uma foto. Eu estava no trabalho, mas fui para a rua no momento e o que vi foi de tirar o fôlego. Um senhor do outro lado da rua não se movia, o vendedor do falafel manteve a cabeça baixa por todo o tempo, assim como o moço que passeava com seu cachorro ao meu lado.

Não filmei por achar que não era o momento, mas encontrei um vídeo em que vocês podem ver como foi. É só clicar aqui.

First They Came for the Jews

First they came for the Jews
and I did not speak out
because I was not a Jew.

Then they came for the Communists
and I did not speak out
because I was not a Communist.

Then they came for the trade unionists
and I did not speak out
because I was not a trade unionist.

Then they came for me
and there was no one left
to speak out for me.

– Martin Niemöller

Viagem a Stuttgart – Parte 2

DIA 3

Dia de turistar mais um pouco. Pegamos o trem e fomos ao museu da Mercedes-Benz. Comi um pretzel com manteiga e cebolinha no caminho – destaco isso porque lá eles adoram colocar cebolinha em tudo, assim como em Israel as pessoas colocam salsinha em tudo.

Não sou a maior fã de carros do mundo, mas foi bem interessante. No caminho, estávamos conversando sobre a quase inexistência de estrangeiros na cidade, afinal, na teoria é impossível viajar e não encontrar ao menos um brasileiro.IMG_20170416_122249

Dito e feito. Descemos do trem e encontramos um grupo de brasileiros. Eles estavam no país para um campeonato de ciência ou algo assim. O lugar é incrível, com muita história para contar e, claro, muitos carros. No final nos despedimos do grupo e fomos novamente para o festival de primavera que ficava perto.

Brinquei de novo na pescaria de patinhos e comi um prato estranhamente bom: Linsen mit Spätzle (Lentinha com um macarrão estranho). Minha missão de achar uma salsicha vegetariana falhou. Estava extremamente frio e até choveu um pouco, mas não foi o suficiente para me impedir de tomar uma raspadinha de cereja.

IMG_20170416_140443

No caminho de volta para casa, encontramos os brasileiros outra vez. Eles estavam a caminho da Torre de TV e já que não tínhamos nenhum plano, nos juntamos a eles. O negócio era alto e estava 3º C com muito vento. Não foi lá muito agradável, mas foi engraçado. Só um dos brasileiros conversou mais com a gente (o “líder” do grupo), os outros eram bem quietinhos.

Nos despedimos dos colegas e voltamos para o apartamento. Dessa vez o jantar não foi pizza, e sim, macarrão. Uma amiga alemã que conheci em Israel disse que eu não podia sair de Stuttgart sem comer Käsespätzle que é, basicamente, macarrão com queijo. Encontramos ele em um restaurante próximo. Pela primeira vez lá tivemos um atendimento bom em inglês, com direito até a cardápio traduzido, foi impressionante. O macarrão era sensacional, mas muito pesado e não consegui terminar.

Depois, fomos em busca de um cassino. Sim, um cassino. Aparentemente lá é bem famoso porque vimos muitos em nossas andanças. Andamos muito e só encontramos um com velhinhos estranhos (e um manipulando duas máquinas) e outro completamente vazio. Decidimos que temos que ir para Vegas na próxima viagem.

DIA 4

Esse dia foi cansativo. Logo cedo fomos até o aeroporto alugar um carro para as aventuras do dia: os castelos.

Primeiro fomos ao Castelo de Lichtenstein. Ele era mais bonito nas fotos, uma vez que a torre principal estava sendo reformada no dia. O dia estava um chove/não chove que foi difícil lidar, fora o frio. Entramos, tiramos fotos, passamos frio e nos dirigimos para o próximo castelo.IMG_20170417_102251

Há 2h30 de distância de lá, estava o Castelo de Neuschwanstein, que pertencia ao Rei Ludwig II. Esse castelo serviu de inspiração para Walt Disney criar o castelo da Cinderela.

Esse foi, de longe, o lugar mais turístico que fomos. Havia tanta gente que nós chegamos às 14:00 e só conseguimos entrar no castelo às 17:00. Na fila para comprar os ingressos encontramos cerca de 10 brasileiros, como era de se esperar.

Depois de muito tempo na fila, compramos o ingresso para o castelo e para um museu já que, na teoria, tínhamos tempo de sobra. Na realidade foi diferente. Entre a parada para o almoço e as compras nas mil lojas de souvenir disponíveis, já era hora de pegar o ônibus e subir para o castelo.

Chegando lá, fomos tirar fotos na ponte próxima ao castelo. Eu jurei que a ponte ia ceder de tanta gente que estava tentando tirar a foto perfeita. Todas as minhas ficaram péssimas, e eu culpo o frio.

IMG_20170417_155619

Enquanto esperávamos a hora do tour, compramos uma promoção de Caneca do lugar com alguma bebida + “pedaço de bolo”. Até aí tudo bem. Peguei meu chazinho e ela pediu para que eu escolhesse o “bolo” entre as opções: biscoito redondo, mini chocolate com marshmallow e outro biscoito. Acho que eles precisam aprender o que é um bolo.

Infelizmente não era permitido tirar fotos dentro do castelo, e minha parte preferida de viajar é tirar fotos. O tour podia ter sido feito em português, de tanto brasileiro que estava no nosso grupo. Ludwig tinha um ótimo gosto e também adorava cisnes, o que ficou bem claro durante o passeio.

O motorista do ônibus que descia de volta ao estacionamento gostava de emoção. Correr em um morro na chuva foi com ele mesmo.

Voltamos para o carro e pegamos o caminho da roça de volta para o aeroporto para devolver nosso querido carro. Como se não bastasse estar frio, começou a nevar no meio do caminho. Que primavera mais estranha nesse país.IMG_20170417_121641

Finalmente chegamos ao aeroporto, deixamos nosso companheiro de aventuras lá e pegamos um táxi para casa. O primeiro e único da viagem. Viva o transporte público que funciona!

Chegamos em casa arrumamos as malas e terminamos a noite/a viagem com pizza, sorvete Häagen-Dazs e programas de TV em alemão.

Dia seguinte, pegamos as malas e fomos para o aeroporto.

Destaco aqui que: no segundo dia da viagem, começaram a trocar os trilhos do bonde que precisávamos para ir ao aeroporto. Geralmente essas coisas levam tempo, mas eles trabalharam incansavelmente dia e noite, e tudo estava pronto assim que o feriado acabou.

E assim (quase) acabou a viagem mais espontânea que já fiz.

Viagem a Stuttgart – Parte 1

Em uma espontânea conversa com um amigo em janeiro, decidimos ir para Stuttgart (Alemanha) assistir ao concerto do filme O Senhor dos Anéis. Abril chegou e lá fomos nós, eu saindo de Israel e ele de Malta. Uma das grandes vantagens de morar por aqui é que as passagens para a Europa e arredores são mais acessíveis.

IMG_20170414_155910DIA 1

Chegando lá eu ia esperar meu amigo no aeroporto mas, como ia demorar, liguei o modo Amanda, a exploradora, eu resolvi ir para o AirBnb sozinha. Demorei um pouco para me entender com a máquina de comprar as passagens do trem, mas no fim deu certo (só que eu esqueci de validar). Peguei o metrô no aeroporto e depois troquei para um bonde ou algo assim.

Pela janela do bonde, me apaixonei um pouco pela cidade, cheia de árvores e casinhas muito lindas. Como era feriado, tudo estava silencioso. Cheguei no ponto da casa e encontrei o prédio.

A questão foi: meu amigo me disse que a chave estava em uma caixa do correio, mas não qual. Como eu não ia abrir as caixas alheias, resolvi esperar. Uma moradora me deixou entrar e me passou a senha do wi-fi. Fiquei na escadaria passando frio por 3 horas até que ele me passou qual caixa e qual era o apartamento.

Quando ele chegou, saímos para procurar algo para comer. Fomos em direção ao centro e, para chegar lá, descemos escadas que não eram muito convidativas durante a noite -no Brasil seria um local propício para assaltos. Saindo de lá, eu avistei uma rua cheia de luzes e com algumas pessoas, parecia ter algo bom acontecendo, talvez bares e restaurantes animados. De fato havia, mas não para mim, visto que fomos parar em uma rua composta por puteiros.
IMG_20170414_213615

Andamos sem encontrar nada muito interessante, além de partes da rua que perdiam a calçada, do nada. No fim das contas entramos no restaurante Einstein e comemos uma pizza sem queijo acompanhada da nossa primeira cerveja da viagem!

DIA 2

Pela manhã fomos ao festival de primavera (Frühlingsfest). Resolvemos ir andando para passar por um parque no caminho. Era bem longe, mas foi bom para conhecer mais partes bonitas da cidade. O parque era enorme, cheio de lagos, patos, e havia até tabuleiros de xadrez gigantes e banheiros no meio do nada.

IMG_20170415_114545

O festival é um dos maiores da Europa, e não é para menos. Sempre havia algo que eu não percebi antes. Barracas de comida (salsichas, frutas com chocolate, vários tipos de amendoim, cerveja), barracas de jogos (pescaria, arco e flecha, tiro, dardos), e brinquedos típicos de parque de diversões, como roda gigante e montanha russa – os quais eu passo longe.

Algumas casas abrigavam festas separadas. Entramos em uma, que estava cheia de pessoas vestindo roupas típicas, dançando nas mesas e tomando cerveja em canecas maiores do que a minha cabeça. Muitas pessoas caíam, mas a cerveja estava sempre lá. Eu não podia sair sem tomar uma, é claro.

IMG_20170415_133310_1Passamos uma boa parte do festival observando as pessoas e ouvindo as mesmas músicas diversas vezes. Aparentemente havia a musica do brinde que, toda que tocava, as pessoas brindavam. Um grupo de coreanos sentou perto da gente e estavam super quietos. Fui tentar puxar papo e, para a minha surpresa, eles estudavam lá e só falavam alemão, apenas um falava inglês – eles beberam a cerveja mais rápido do que eu.

Voltamos para casa e nos preparamos para o grande momento da viagem: o concerto. Coloquei meu vestido bonito, salto na bolsa e lá fomos nós.

Chegamos ao Liederhalle e já estava cheio de pessoas. Do começo ao fim, não ouvimos ninguém falando em outro idioma que não alemão. Poucos se aventuram dessa forma. Tirei foto com o “pôster” do evento para guardar de recordação, comprei um livreto do concerto, e fomos para a sala. Fileira 4.

Eu pensei que seriam apenas algumas cenas, mas assistimos ao filme do começo ao fim (com um intervalo) e toda a trilha sonora foi feita ali, na minha frente, com um coral, violinos, cellos… foi emocionante. Uma das musicas que eu mais gosto é “Concerning Hobbits” e confesso que quase chorei quando ela começou. Um dos violinistas me chamou atenção, por parece mais… “lá” do que os demais, não sei como explicar.

IMG_20170415_184624

Foi um dia inesquecível que vai deixar saudades. Quem sabe se der na telha eu vou assistir as continuações?

Terminamos a noite com uma pizza de 5€ sensacional no único lugar aberto perto do apartamento. Ele também tinham falafel, mas não. Estava frio demais para ir mais longe.

Passando o aniversário longe de casa

Em 22 anos, esse foi meu primeiro aniversário que eu não passei com minha família e amigos no Brasil. Mas passei com minha família/amigos aqui em Israel.

Parei para pensar, e é incrível como de um ano para o outro tantas coisas mudaram. No meu aniversário do ano passado eu sabia que iria para Israel, mas não que passaria o aniversário seguinte aqui.

Eu sabia que seria uma experiência diferente, mas foi melhor do que eu esperava. No dia 1º de abril (sim), fiz uma festa conjunta com outros amigos que faziam aniversário em datas próximas. Foi minha primeira vez dividindo uma festa, mas foi divertido.

A ideia era uma espécie de pic-nic no parque, mas o vento do dia fez com que nossos planos falhassem miseravelmente. Nem as pedras conseguiram segurar nossa toalha de mesa indestrutível. Pegamos nossas coisas e fomos para a casa de uma das aniversariantes, e foi muito divertido! Vieram as pessoas importantes e algumas que eu nem sabia quem eram. Teve bebida (muita), salgadinho, bolo, e muitas risadas. Depois, fomos para a praia ver o pôr do sol e aproveitar o fim do dia.

No dia 5, que é de fato meu aniversário, meu pai estava aqui! Então eu tive uma parte da família para comemorar junto. No almoço, fui com meus colegas de trabalho em um restaurante japonês, afinal, é de lei. Até ganhei presentes dos meus chefes (o que me fez dar uma choradinha).

Na comemoração da noite, meu pai fez risolis de camarão e pão de queijo, que saudades dessa comida. A busca pelos ingredientes foi bem engraçada. Destaco os 30 minutos tentando explicar para o vendedor que queríamos 800g de queijo e não 80g (juro que coloquei os número na tela do celular e não deu certo), e também o atendente da peixaria extremamente simpático que gritou que o lugar era Kosher e, obviamente, não tinha camarão (pelo menos ele indicou o lugar que eu poderia encontrar).

Atrasamos um pouco a festa porque a comida demorou para ficar pronta. Mas valeu muito a pena e todos saíram contentes e rolando, afinal, teve até Shakshuka feito pela nossa incrível nova roommate americana que daqui a pouco já fala português fluente.

Após o parabéns, pediram o tal do discurso. Agradeci a todos, uma vez que eu estava muito feliz com o desenrolar do dia e da comemoração, até que minhas amigas começaram a comparar com meus aniversários e amigos do Brasil. Explicar que são situações diferentes não é fácil, mas ainda assim meu coração está lá e aqui. Obrigada a todos por terem feito meu 2.2 especial!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Pessach em Israel

Também conhecido como a “Páscoa Judaica”, o Pessach é, na minha opinião, uma das melhores festas. É a festa em que se comemora a libertação do povo judeu da escravidão no Egito.

As famílias se reúnem para o Seder de Pessach, onde lê-se a hagadá e segue-se os passos pedidos. Não vou me estender muito explicando cada ponto, mas posso adiantar que algumas comidas são obrigatórias, e consumidas em determinada ordem durante a leitura da hagadá de Pessach. E, claro, beber quatro copos de vinho é obrigação!

Você pode encontrar mais informações no site do Chabad.

Em Israel, eu passei a primeira noite com a família da minha amiga. Foi um pouco diferente de como eu estava acostumada com minha família em São Paulo, mas foi muito legal. Fiquei imensamente feliz por ter sido convidada.

A hagadá foi lida em uma velocidade nunca antes vista por mim, as músicas foram parcialmente cantadas, mas nada supera a tia da minha amiga levantando para pegar o jornal e mostrar os estilos de cabelo do Bibi (Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel) nos últimos anos. Foi bem divertido. Acabando, chegou a hora de comer.

O problema do Pessach é que a gente come, e come muito. No fim, respirar doía. Entre gefilte fish, kneidalach, casquinha de siri (com peixe e não siri) e arroz com passas, eu ganhei uns 8 quilos. Comida judaica é irresistível, ainda bem que é uma vez por ano.

Durante o Pessach não se come pão, apenas matzá (pão sem fermento). É difícil encontrar pão na cidade durante os dias da festa. Muitas lojas de hummus, por exemplo, não abrem (pelo menos perto do meu trabalho).

Cada um tem uma experiência de Pessach diferente, e eu fiquei extremamente contente com a minha. Que venha ano que vem!

Você fala hebraico?

Não.

Cheguei aqui com um vocabulário

Agora retomei meus estudos no Ulpan Gordon, além de usar o Duolingo (aplicativo) que ajuda bastante. Como eu já aprendi um básico do básico anteriormente, as primeiras aulas foram fáceis. Já agora…

Viver em Israel sem saber hebraico é impossível, pelo menos para mim. Sim, muitas pessoas falam inglês. Sim, brasileiros estão por toda parte. Mas não é a mesma coisa.

Se você for a um restaurante no centro, é bem provável que você encontre atendentes que falem inglês, além de um cardápio em inglês. Mas se decidir ir na vendinha de hummus em Yafo, pode ser que não tenha a mesma sorte. Em último caso, a mímica é sempre uma boa saída.

Algumas palavras você vai aprendendo no dia a dia, ao ver as pessoas utilizando em seu devido contexto. Uma das palavras que eu mais gosto é “Nág” (נהג), que significa “motorista”. Ao gritar dentro do ônibus, ela se torna o nosso famoso “vai descer”.

Quando eu tento falar com alguém que não sabe inglês, eu vou arriscando meu hebraico super básico (que envolve basicamente números e comida) para tentar conseguir o que preciso. Geralmente funciona. O problema é que começar uma conversa em hebraico pode dar a entender que eu sei mais do que aquilo, aí complica a situação.

Uma das frases que eu mais usei aqui é: “Ani lo medaberet ivrit” ( אני לא מדברת עברית), que signfica “eu não falo hebraico”.

17909510_1516368841729325_1476001367_n

 

Explorar é arte, turistar faz parte

Nada como explorar a cidade e o país em que vivemos, descobrir cantos únicos que você quer contar para todos, o melhor hummus, o melhor lugar para um narguille.

Além desses pequenos locais, temos os pontos turísticos que devem ser visitados ao menos uma vez. No meu caso, essa foi a segunda vez em alguns.

Os lugares da vez são: Masada, En Gedi, e Mar Morto.

Para poupar o trabalho de procurar ônibus e afins, meu pai e eu fomos com um grupo de turistas através do Tourist Israel. Apesar do problema de atraso de 1 hora, o resto da viagem correu bem.

Com meu preparo físico de uma abobrinha, começamos a subir o Masada por volta das 5:00 para poder ver o nascer do Sol. Só encontramos o Snake Path, que é mais difícil do que a ladeira que fica do outro lado, mas era o que tinha. Com várias paradas, muitas pedras e muita água, chegamos no topo às 6:30. O Sol começou a nascer no meio do caminho, mas não desistimos e valeu a pena! É realmente um passeio único para fazer pelo menos uma vez na vida.

A descida foi mais sossegada, e levou cerca de 40 minutos.

A segunda parte, foi o En Gedi, onde eu esperava encontrar vários Íbex, mas só encontrei ratos, digo, damões. Não havia muito o que ver por lá, além de futuros noivos tirando fotos de casamento na cascata. Ah, e claro, mais escadas, como se as do Masada já não tivessem sido o suficiente.

Na parada final, fomos para o Mar Morto, o ponto mais baixo do mundo! Eu fui com o Taglit na minha primeira vez em Israel, mas confesso que foi mais prazeroso entrar no mar com 20 ºC ao invés de 5 ºC.

Você acaba boiando na água até mesmo se não quiser. Sim, eu boiei involuntariamente diversas vezes. Cuidado com as pedras de sal, são bem pontiagudas e fazem diversos cortes (não muito profundos) na pele, mas você mal sente. É uma mistura de coisinhas afiadas e lama, uma sensação deveras interessante.

Mulheres de Burquíni e biquíni, crianças, senhores, enfim, todo mundo junto. Uma visão que, quem vem de fora, pode pensar que não existe.

Ficamos esperando as outras pessoas saírem enquanto eu apreciava meu Ice Passiflora (raspadinha de maracujá) que pedi em hebraico. O vendedor achou que eu soubesse falar mais do que aquilo (de fato eu sei, mas não o que ele havia falado). Até que apareceu um moço com um camelo, que ficou deitado na sombra da árvore com o mar ao fundo. Uma imagem tipicamente israelense-turística.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Um passeio tortuoso

Era apenas um dia em Golan Heights. O que era para ser um passeio de bicicleta seguido de uma caminhada se tornou mais emocionante do que deveria.

Para começar, precisamos percorrer 10 km de bicicleta. Caro leitor, tenha em mente que eu aprendi a andar de bicicleta há 4 anos e nunca pratiquei depois disso. Não foi uma das experiências mais fáceis da minha vida mas, apesar dos galhos que me acertaram, a missão foi concluída com êxito.

Infelizmente, nem todos saíram ilesos. Quando já estava sentindo o cheiro da pizza que nos aguardava, minha amiga caiu da bicicleta e não foi nem um pouco prazeroso.

Na segunda parte desse dia incrível, fizemos uma caminhada pelas montanhas no Golan. Estava quente, muito quente. A música cujo refrão é “O sol estava quente e queimou a nossa cara” nunca foi tão real, só faltou o deserto do Saara.

Tudo corria bem, até que… cadê todo mundo? Em resumo, eu e mais algumas pessoas se separaram do resto do grupo. Viva o sedentarismo e o companheirismo! Andamos um pouco tentando encontrar o grupo, mas desistimos. Havia um médico (muito bonito) com a gente que estava tentando ligar para o guia, mas não foi muito útil.

Ficamos lá, admirando a paisagem e suando como porcos. Após cerca de 1 hora perdidos e esperando ajuda, o guia e um dos coordenadores deram as caras, e começamos a andar para nosso destino inicial.

Para alcançar o grupo que já estava no lago em que deveríamos estar, precisamos fazer um caminho nada comum que consistia em: andar dentro de um riacho. Eu, com meus incríveis 1,56 de altura, não achei a ideia nem um pouco agradável, ainda mais com aranhas estranhas e peixes no caminho. De mãos dadas, lá fomos nós.

Ao sair do riacho, o que eu mais temia aconteceu. Eu caí. Por sorte só ganhei um roxo enorme na perna e uma batidinha na cabeça. A essa altura, eu só queria afogar alguém.

Chegamos ao maldito lago, onde todos se divertiam. Sentei em uma pedra e lá fiquei até voltarmos para o ônibus. Um dos amigos que se perdeu comigo se jogou no lago e quase se afogou.

Hoje essa é uma história engraçada, e posso dizer que foi uma grande aventura.

20160907_141546.jpg

Vivendo com (des)conhecidas

Ao embarcar no avião, os desafios começam. Talvez o maior deles seja conhecer novas pessoas, ou melhor, viver com novas pessoas.

Ao se inscrever no programa, é difícil saber o que ou quem lhe aguarda em seu novo lar. No meu caso, eu tinha uma ideia, uma vez que conversei com minhas futuras roommates/colegas de quarto/ שותפות antes de chegar aqui.

No começo você não tem certeza se isso poderia dar certo. Pessoas diferentes convivendo em um pequeno espaço por alguns meses. No meu caso, foi uma empreitada bem sucedida.

Nunca vou esquecer o dia que uma das meninas queria conversar comigo antes da chegada para “termos uma boa convivência no futuro”. Aparentemente o fato de eu gostar de séries de TV, quadrinhos e afins me torna uma pessoa possivelmente implicante.

Apesar de elas não acreditarem, sou imensamente grata pela companhia. Eu provavelmente não teria ficado em um segundo programa se não fosse por elas, e acho que elas também não. E os planos continuam.

Em nossa trilha, tivemos brigadeiros queimados, arroz empapado, macarrão, cuscuz, choro, TPM, conversas até as 2 da manhã, frustrações amorosas, e a lista segue.

Tradutora, Administradora, Designer e Engenheira. Paulistas e Cariocas. Biscoito e Bolacha. Uma possível receita para o desastre se tornou o que chamamos de um “case de sucesso”.

Juntas construímos um ambiente próprio que deu certo. De compras a limpeza da casa, tudo foi discutido, debatido até que funcionou. Por vezes a louça fica na pia mais tempo do que deveria, mas quem nunca?

Cada dia são mais experiências, novas histórias compartilhadas, e novas batalhas pela frente. O bom é que, no fim das contas, estamos juntas no mesmo barco.

“You will meet many foes, some open, and some disguised; and you may find friends along your way when you least look for it.” – Elrond

bf0b4741-6cb5-400b-a843-1a2f30b8137c