A vida na fronteira com Gaza

Fizemos um passeio para o sul de Israel, e uma das paradas foi na fronteira nativcom a Faixa de Gaza, local controlado pelo conhecido movimento fundamentalista islâmico, Hamas.

Fomos à casa de uma senhora que mora na região há anos, no Moshav Netiv HaAsara. Ao entrar na “vila”, tudo é bonito, calmo, com muitas árvores e pássaros. Parece uma cidade de interior. A única coisa que destoa são as dezenas de abrigos (bunkers) espalhados no caminho.

A senhora, que não nasceu ali, mas se mudou com a família há alguns anos, nos deu algumas informações e experiências de como é viver tão próximo a um local de tantos conflitos. Todas as casas, a cidade, e os celulares, por exemplo, recebem alertas quando algum foguete é lançado do outro lado. Quando isso acontece, os moradores têm cerca de 5 segundos, ou menos, para chegar a um dos abrigos espalhados.

Um dos epi18763166_1565992836766925_986878755_nsódios que contou, e que mais me impressionou, foi quando em uma noite ela e o marido ouviram um grande barulho e acharam que um foguete havia caído na casa deles. Na verdade, ele caiu e destruiu a casa vizinha. Ao ver a cena, a família pegou o carro e foi para a casa de parentes próximos a Tel Aviv (que fica há 1 hora de distância). O trauma foi tanto que ela ficou uma semana sem conseguir falar e precisou de terapia.

Ainda assim, apesar das dificuldades, a moradora contou que não trocaria seu lar por nada. Segundo ela, eles levam uma boa vida em comunidade, onde todos se conhecem e se ajudam.

Com muita tristeza, ela contou que seus amigos e familiares não a visitam por medo de ir até lá. Esse foi seu incentivo para pintar uma parte dos muros que separam os locais. Com as pinturas alegres, as pessoas começaram a se aproximar da, até então hostil, divisória. Em sua casa, ela fornece pedras coloridas que as pessoas podem colar no desenho, e o resultado é incrível.

Fiquei doente, e agora?

Se tem uma coisa que eu não recomendo, é ficar doente ou ter qualquer outro problema que seja necessário ir ao médico. Sim, não é algo que podemos controlar mas, se puder, não vá.

Existem diversos Kupat Holim (plano de saúde), mas os que mais ouço falar são o Maccabi e o Clalit. O que recebi do programa é o Clalit.

Por aqui, você não vai direto para o hospital na maioria dos casos. Existem algumas pequenas clínicas espalhadas. Para a minha sorte, tenho uma perto de casa.

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A primeira vez que eu fui, foi porque eu queria fazer alguns exames de rotina. Chegando lá, foi difícil encontrar alguém que falasse inglês. No fim das contas, nessa clínica existem duas recepcionistas, uma médica e um moço que eu não sem bem o que faz, que sabem falar inglês.  Conseguir um horário com essa única médica é um sufoco.

Os horários de funcionamento são bem estranhos também. Nunca vi clínica fechar para a hora do almoço e depois das 18:00. Espero que ninguém passe mal nesses horários ou durante o Shabat, já que eles não abrem.18554611_1554703427895866_1325352564_n

Uma vez eu fui fazer exames em um lugar que tinha mais cara de hospital do que a clínica – apesar de ser igualmente feio estruturalmente. Foi ainda mais difícil encontrar alguém que falasse inglês ou até mesmo placas. Mas no fim deu tudo certo.

Os médicos que eu passei são bons, e os exames foram feitos bem rápido e sem complicações. O bom é que você nem precisa ir buscar os exames, eles vão direto para o computador do seu médico – family doctor, como eles chamam.

Um dia desses eu estava com dor de ouvido e resolvi ir à clínica sem agendamento e tentar a sorte. Após 1h30 esperando, fiquei 2 minutos na consulta e saí com um remédio para pingar no ouvido. O legal é que eu acho que me estressei tanto na espera que a dor passou e não precisei do remédio.

E os finais de semana?

Primeiro, eu tive que me acostumar com o fato de que: Quinta é sexta, sexta é sábado, e domingo eu trabalho. Ou seja, enquanto as pessoas assistem “Domingão do Faustão”, eu estou trabalhando – caso não houvesse fuso horário.

O ideal por aqui, é sair na quinta-feira à noite, uma vez que do final do dia de sexta até o começo da noite de sábado os ônibus não circulam por motivos de: Shabat. Sair sexta-feira é sinônimo de andar muito ou gastar 1/3 do valor do seu rim com táxis (que vão tentar tirar cada centavo de turistas).

Não sou a pessoa mais festeira do mundo, então dicas das melhores baladas vão ficar para a próxima vez, mas existem outras coisas para se fazer por aqui.

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Cada pessoa tem suas preferências, mas uma é quase unânime: praia no verão. Sexta-feira sem ônibus? Uma caminhada de 30 minutos e chego na Banana Beach – uma praia de Tel Aviv. Passar o dia/tarde na sombrinha ou no sol, se você quiser dar aquela torrada, é um ótimo plano muitas vezes.

18447730_1347762028605562_1902219298_nEm Yafo, temos o Shuk Hapishpeshim (nosso mercado das pulgas), que durante a semana tem várias lojas de artigos usados, souvenirs e restaurantes pela manhã. Nos finais de semana à noite a figura muda, e o espaço dá lugar a bares descontraídos e lotados. O meu preferido é o Akbar, que tem musicas boas, bom atendimento, e batatinhas fritas com queijo e limão.

 

Recentemente comecei a ir a um evento de “troca de idiomas” chamado FluenTLV, onde eu me inscrevo como embaixadora da minha língua nativa – português – e ajudo pessoas que sabem o básico a praticarem. Na outra parte da noite eu vou praticar meu pobre hebraico. É uma boa opção para o sábado a noite.

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Sair sozinha aqui não é um problema. Se não tiver ninguém para sair com você, só vai. Existem centenas de bares na Rothschild – sou fã do Polly – ou na Allenby, sempre lotados e cheios de pessoas simpáticas. Sair de algum deles sem bater papo com alguém é impossível. Se você, assim como eu, tem um lado meio geek, o Potion Bar é o seu lugar. Bebidas temáticas servidas em recipientes de poções e hidromel esperam os visitantes – além do bom atendimento e a mesa de sinuca.

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Sempre existem eventos diversos acontecendo pela cidade, e só procurar o seu. O melhor lugar para isso é o Secret Tel Aviv, que sempre conta com uma lista atualizada do que está acontecendo na cidade. Você também pode pegar esse cartão deles, que dá direito a descontos e promoções em vários lugares.

 

Por vezes, você pode acabar andando por aí e descobrindo eventos e atividades das quais não tinha conhecimento. Eu, por exemplo, acabei vendo a “Marcha das Vadias” daqui em uma caminhada sem destino.

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Cães e Gatos

No Brasil, vemos milhares de cães e gatos nas ruas, mal tratados e sem rumo. Aqui é um pouco diferente.

Animais de estimação, principalmente cachorros, são amados por todos. É difícil encontrar cães abandonados, já os gatos… estão em todos os lugares. Mesmo assim, eles ainda são bem tratados de certa forma, uma vez que moradores e estabelecimentos deixam ração e comida nas ruas para os felinos.

No lugar onde moro, temos pelo menos os mesmo quatro gatos rondando e, um deles, gosta de cantar de madrugada.380da589-037c-4468-8b0b-a8661a4333eb

Os cachorros estão por todas as partes, e às vezes eu acho que eles são tão felizes que sorriem. Aqui, até ônibus eles podem pegar e ninguém vai reclamar (é mais fácil reclamarem que você está falando alto). Eles podem entrar em qualquer lugar praticamente. Uma vez eu fui a um bar de ambiente fechado, e lá estava um canino.

Tel Aviv é uma das cidades mais ‘dog-friendly’ do mundo e conta com 1 cachorro para cada 17 habitantes. O bairro Florentin conta com o maior número de donos de cachorros do que qualquer outro lugar – são muitos cachorros.

Não é para menos que eles são tratados como reis. Os abrigos não abatem os bichinhos, denuncias de abuso são atendidas prontamente, e os animais abandonados tem até atendimento veterinário. Aqui é definitivamente um bom lugar para ser um cachorro (ou gato).

 

Yom HaZikaron e Yom HaAtzmaut

No início da noite do dia 30 de abril, deu-se início ao Yom Hazikaron. Assim como Yom HaShoah, é um dia de lembrança. Dessa vez, a todos os soldados que morreram nas guerras desde o início da construção de Israel, assim como as vítimas do terrorismo que assola o país.

Às 20h00 do dia 30, uma sirene com duração de 1 minuto ecoou no país, carros e pessoas pararam em lembrança. Todo o comércio também foi encerrado no início da noite. Eu havia ido com meus colegas de classe do Ulpan para a rua e, ao final, fui para casa.

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Foto: Myy Jeraffi

Na manhã seguinte, mais precisamente às 11h00, a sirene soou novamente. Dessa vez eu estava no escritório, e todos fomos para o “quintal” da casa e nos reunimos em silêncio. Em seguida, algumas pessoas leram histórias de pessoas que perderam a vida. Infelizmente, não foram poucos.

No início da noite de 1 de maio começou o dia mais feliz do país: o dia da independência de Israel. É um dia de comemoração e alegria, justamente após um dia de tamanha tristeza. Pode parecer não tem sentido, mas com alguma reflexão, é possível entender. Deixo essa reflexão por conta de cada um.

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Houve uma grande festa, com shows e fogos de artifício (maravilhosos) na Kikar Rabin. A maioria das pessoas na rua eram crianças e adolescente, todos cheios de energia e alegria comemorando os 69 anos de Israel. Bandeiras e adereços com sua imagem eram vistos por toda parte. Na hora da fome rolou aquele hambúrguer vegetariano do Burger King porque eu mereço e o falafel era caro.

Foi de fato uma festa muito animada, e é interessante pensar que o país tem só 69 anos. Em termos de comparação, a cidade de São Paulo tem 463 anos!

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Na manhã seguinte, houve uma “apresentação” com aviões, e fui com meus amigos ver da praia. Foi bem divertido, apesar de algumas vezes parecer que eles só queriam mostrar sua enorme coleção de aviões.