Pessach em Israel

Também conhecido como a “Páscoa Judaica”, o Pessach é, na minha opinião, uma das melhores festas. É a festa em que se comemora a libertação do povo judeu da escravidão no Egito.

As famílias se reúnem para o Seder de Pessach, onde lê-se a hagadá e segue-se os passos pedidos. Não vou me estender muito explicando cada ponto, mas posso adiantar que algumas comidas são obrigatórias, e consumidas em determinada ordem durante a leitura da hagadá de Pessach. E, claro, beber quatro copos de vinho é obrigação!

Você pode encontrar mais informações no site do Chabad.

Em Israel, eu passei a primeira noite com a família da minha amiga. Foi um pouco diferente de como eu estava acostumada com minha família em São Paulo, mas foi muito legal. Fiquei imensamente feliz por ter sido convidada.

A hagadá foi lida em uma velocidade nunca antes vista por mim, as músicas foram parcialmente cantadas, mas nada supera a tia da minha amiga levantando para pegar o jornal e mostrar os estilos de cabelo do Bibi (Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel) nos últimos anos. Foi bem divertido. Acabando, chegou a hora de comer.

O problema do Pessach é que a gente come, e come muito. No fim, respirar doía. Entre gefilte fish, kneidalach, casquinha de siri (com peixe e não siri) e arroz com passas, eu ganhei uns 8 quilos. Comida judaica é irresistível, ainda bem que é uma vez por ano.

Durante o Pessach não se come pão, apenas matzá (pão sem fermento). É difícil encontrar pão na cidade durante os dias da festa. Muitas lojas de hummus, por exemplo, não abrem (pelo menos perto do meu trabalho).

Cada um tem uma experiência de Pessach diferente, e eu fiquei extremamente contente com a minha. Que venha ano que vem!

Anúncios

Você fala hebraico?

Não.

Cheguei aqui com um vocabulário

Agora retomei meus estudos no Ulpan Gordon, além de usar o Duolingo (aplicativo) que ajuda bastante. Como eu já aprendi um básico do básico anteriormente, as primeiras aulas foram fáceis. Já agora…

Viver em Israel sem saber hebraico é impossível, pelo menos para mim. Sim, muitas pessoas falam inglês. Sim, brasileiros estão por toda parte. Mas não é a mesma coisa.

Se você for a um restaurante no centro, é bem provável que você encontre atendentes que falem inglês, além de um cardápio em inglês. Mas se decidir ir na vendinha de hummus em Yafo, pode ser que não tenha a mesma sorte. Em último caso, a mímica é sempre uma boa saída.

Algumas palavras você vai aprendendo no dia a dia, ao ver as pessoas utilizando em seu devido contexto. Uma das palavras que eu mais gosto é “Nág” (נהג), que significa “motorista”. Ao gritar dentro do ônibus, ela se torna o nosso famoso “vai descer”.

Quando eu tento falar com alguém que não sabe inglês, eu vou arriscando meu hebraico super básico (que envolve basicamente números e comida) para tentar conseguir o que preciso. Geralmente funciona. O problema é que começar uma conversa em hebraico pode dar a entender que eu sei mais do que aquilo, aí complica a situação.

Uma das frases que eu mais usei aqui é: “Ani lo medaberet ivrit” ( אני לא מדברת עברית), que signfica “eu não falo hebraico”.

17909510_1516368841729325_1476001367_n

 

Explorar é arte, turistar faz parte

Nada como explorar a cidade e o país em que vivemos, descobrir cantos únicos que você quer contar para todos, o melhor hummus, o melhor lugar para um narguille.

Além desses pequenos locais, temos os pontos turísticos que devem ser visitados ao menos uma vez. No meu caso, essa foi a segunda vez em alguns.

Os lugares da vez são: Masada, En Gedi, e Mar Morto.

Para poupar o trabalho de procurar ônibus e afins, meu pai e eu fomos com um grupo de turistas através do Tourist Israel. Apesar do problema de atraso de 1 hora, o resto da viagem correu bem.

Com meu preparo físico de uma abobrinha, começamos a subir o Masada por volta das 5:00 para poder ver o nascer do Sol. Só encontramos o Snake Path, que é mais difícil do que a ladeira que fica do outro lado, mas era o que tinha. Com várias paradas, muitas pedras e muita água, chegamos no topo às 6:30. O Sol começou a nascer no meio do caminho, mas não desistimos e valeu a pena! É realmente um passeio único para fazer pelo menos uma vez na vida.

A descida foi mais sossegada, e levou cerca de 40 minutos.

A segunda parte, foi o En Gedi, onde eu esperava encontrar vários Íbex, mas só encontrei ratos, digo, damões. Não havia muito o que ver por lá, além de futuros noivos tirando fotos de casamento na cascata. Ah, e claro, mais escadas, como se as do Masada já não tivessem sido o suficiente.

Na parada final, fomos para o Mar Morto, o ponto mais baixo do mundo! Eu fui com o Taglit na minha primeira vez em Israel, mas confesso que foi mais prazeroso entrar no mar com 20 ºC ao invés de 5 ºC.

Você acaba boiando na água até mesmo se não quiser. Sim, eu boiei involuntariamente diversas vezes. Cuidado com as pedras de sal, são bem pontiagudas e fazem diversos cortes (não muito profundos) na pele, mas você mal sente. É uma mistura de coisinhas afiadas e lama, uma sensação deveras interessante.

Mulheres de Burquíni e biquíni, crianças, senhores, enfim, todo mundo junto. Uma visão que, quem vem de fora, pode pensar que não existe.

Ficamos esperando as outras pessoas saírem enquanto eu apreciava meu Ice Passiflora (raspadinha de maracujá) que pedi em hebraico. O vendedor achou que eu soubesse falar mais do que aquilo (de fato eu sei, mas não o que ele havia falado). Até que apareceu um moço com um camelo, que ficou deitado na sombra da árvore com o mar ao fundo. Uma imagem tipicamente israelense-turística.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Um passeio tortuoso

Era apenas um dia em Golan Heights. O que era para ser um passeio de bicicleta seguido de uma caminhada se tornou mais emocionante do que deveria.

Para começar, precisamos percorrer 10 km de bicicleta. Caro leitor, tenha em mente que eu aprendi a andar de bicicleta há 4 anos e nunca pratiquei depois disso. Não foi uma das experiências mais fáceis da minha vida mas, apesar dos galhos que me acertaram, a missão foi concluída com êxito.

Infelizmente, nem todos saíram ilesos. Quando já estava sentindo o cheiro da pizza que nos aguardava, minha amiga caiu da bicicleta e não foi nem um pouco prazeroso.

Na segunda parte desse dia incrível, fizemos uma caminhada pelas montanhas no Golan. Estava quente, muito quente. A música cujo refrão é “O sol estava quente e queimou a nossa cara” nunca foi tão real, só faltou o deserto do Saara.

Tudo corria bem, até que… cadê todo mundo? Em resumo, eu e mais algumas pessoas se separaram do resto do grupo. Viva o sedentarismo e o companheirismo! Andamos um pouco tentando encontrar o grupo, mas desistimos. Havia um médico (muito bonito) com a gente que estava tentando ligar para o guia, mas não foi muito útil.

Ficamos lá, admirando a paisagem e suando como porcos. Após cerca de 1 hora perdidos e esperando ajuda, o guia e um dos coordenadores deram as caras, e começamos a andar para nosso destino inicial.

Para alcançar o grupo que já estava no lago em que deveríamos estar, precisamos fazer um caminho nada comum que consistia em: andar dentro de um riacho. Eu, com meus incríveis 1,56 de altura, não achei a ideia nem um pouco agradável, ainda mais com aranhas estranhas e peixes no caminho. De mãos dadas, lá fomos nós.

Ao sair do riacho, o que eu mais temia aconteceu. Eu caí. Por sorte só ganhei um roxo enorme na perna e uma batidinha na cabeça. A essa altura, eu só queria afogar alguém.

Chegamos ao maldito lago, onde todos se divertiam. Sentei em uma pedra e lá fiquei até voltarmos para o ônibus. Um dos amigos que se perdeu comigo se jogou no lago e quase se afogou.

Hoje essa é uma história engraçada, e posso dizer que foi uma grande aventura.

20160907_141546.jpg

Vivendo com (des)conhecidas

Ao embarcar no avião, os desafios começam. Talvez o maior deles seja conhecer novas pessoas, ou melhor, viver com novas pessoas.

Ao se inscrever no programa, é difícil saber o que ou quem lhe aguarda em seu novo lar. No meu caso, eu tinha uma ideia, uma vez que conversei com minhas futuras roommates/colegas de quarto/ שותפות antes de chegar aqui.

No começo você não tem certeza se isso poderia dar certo. Pessoas diferentes convivendo em um pequeno espaço por alguns meses. No meu caso, foi uma empreitada bem sucedida.

Nunca vou esquecer o dia que uma das meninas queria conversar comigo antes da chegada para “termos uma boa convivência no futuro”. Aparentemente o fato de eu gostar de séries de TV, quadrinhos e afins me torna uma pessoa possivelmente implicante.

Apesar de elas não acreditarem, sou imensamente grata pela companhia. Eu provavelmente não teria ficado em um segundo programa se não fosse por elas, e acho que elas também não. E os planos continuam.

Em nossa trilha, tivemos brigadeiros queimados, arroz empapado, macarrão, cuscuz, choro, TPM, conversas até as 2 da manhã, frustrações amorosas, e a lista segue.

Tradutora, Administradora, Designer e Engenheira. Paulistas e Cariocas. Biscoito e Bolacha. Uma possível receita para o desastre se tornou o que chamamos de um “case de sucesso”.

Juntas construímos um ambiente próprio que deu certo. De compras a limpeza da casa, tudo foi discutido, debatido até que funcionou. Por vezes a louça fica na pia mais tempo do que deveria, mas quem nunca?

Cada dia são mais experiências, novas histórias compartilhadas, e novas batalhas pela frente. O bom é que, no fim das contas, estamos juntas no mesmo barco.

“You will meet many foes, some open, and some disguised; and you may find friends along your way when you least look for it.” – Elrond

bf0b4741-6cb5-400b-a843-1a2f30b8137c

Mas você foi sem rumo?

Não!

Para começar minha empreitada nesse lugar de cultura tão díspar da minha, não bastava só vir sem nenhum plano. Cheguei aqui há 7 meses, em um programa de estágio patrocinado pelo Masa.

O estágio não é remunerado e eu moro em um apartamento compartilhado com outras pessoas do mesmo programa (Destination Israel), também tenho seguro saúde e alguns passeios inclusos no valor da bolsa. Passagem, alimentação, e outros gastos não são cobertos.

No momento estou fazendo meu segundo programa, e permaneci no mesmo estágio. O próximo passo? Aguardem novas informações.

20160829_044211

Mas… por que Israel?

Essa é uma pergunta que sempre me fazem, principalmente os israelenses.

Vir para cá não foi uma decisão tão simples quanto parece, mas foi necessário. Às vezes, precisamos deixar um pouco o que estamos acostumados e tentar algo diferente. Posso dizer que em nenhum momento em 20 anos, eu imaginei que viria para Israel.

Vim para cá pela primeira vez com o Taglit, e me impressionei mais do que esperava. Lindas paisagens, pessoas diferentes, uma língua estranha e uma cultura única.

Recém-formada, um emprego meia boca, poucas prospecções para o futuro. Peguei as malas e vim tentar algo novo na Start-up Nation.

20160827_084009