Paradinha na Turquia

Lembram da publicação de Stuttgart? Então, na volta para casa daquela viagem incrível, eu tive uma escala de 22 horas na Turquia.

Como o aeroporto era pequeno, decidi que iria para Istambul passar a noite em um hostel. Peguei minha malinha e fui atrás de um taxi. O taxista não falava um “a” de inglês, então fomos na base de gestos, e apontar os dedos para as coisas. Ele me ensinou como se falava “horas” mas eu já esqueci.

Me senti em “Velozes e Furiosos”. O senhor cortava todo mundo, ia pelo acostamento (polícia? o que é isso?) e lá fomos nós para Istambul na pior hora do dia. No fim, acabei pagando 230 liras turcas (cerca de 200 reais) e ele ainda precisou ligar para o hostel para pedir ajuda (isso porque eu dei uma pressionada quando reparei que ele estava me enrolando).IMG_20170418_192325_HHT

Cheguei no hostel e já era noite. Fui super bem recebida e o lugar era bem aconchegante, recomendo Cheers Lighthouse. Com a mala já no quarto (que custou 9 euros), baixei o mapa off-line da região e fui atrás dos pontos turísticos que ficavam bem perto.

Entre os locais que visitei estão a Hagia Sophia e a Mesquita Azul. Como era noite, tudo estava iluminado, mas imagino que pela manhã seja ainda mais majestoso. Pretendo voltar só para descobrir mais da cidade, cheia de ruazinhas estreitas e cheias de gente.

Bateu aquela fome e precisei achar algum lugar para comer. Opções não faltavam. A cada restaurante que eu passava na frente, havia alguém na porta me oferecendo um cardápio e puxando conversa, tudo em inglês! Achei incrível.IMG_20170418_201556_HHT

Vi uma loja super fofa com vários doces, mas eu precisava de algo salgado. O gerente da loja de doces me recomendou o restaurante ao lado. Prometi que voltaria para a sobremesa e lá fui eu.

Pedi um peixe inteiro com legumes. Até cabeça o bichinho tinha. O lugar era bem aconchegante mas não muito jovem. Se eu não tivesse comido tanto, uma comidinha de rua poderia cair bem.

Na loja de doces, pedi um “combinado” com um docinho de cada. Eles têm um sorvete estranho que não derrete e é maravilhoso. O gerente que havia conversado comigo antes falou para tomarmos um chá depois que ele jantasse. Acabei voltando para o hostel antes disso, já estava meio tarde e… bem, sou uma menina viajando sozinha. É libertador, mas não deixa de ser um pouquinho perigoso.

Reservei um espaço em um shuttle para voltar ao aeroporto na manhã seguinte (só 60 liras turcas) às 5 da manhã. Voltei para o quarto e uma pessoa estava lá, um argentino cujo maior objetivo na viagem era comprar alguma coisa para a bateria (instrumento) dele.IMG_20170418_205227

Batemos um papo e precisei ir dormir, coisa que não fiz muito bem já que fiquei com a cama de cima e eu morro de medo. Dia seguinte, hora de ir.

Depois de passar para pegar mais umas 8 pessoas, o shuttle chegou no aeroporto que estava LO-TA-DO. Eu juro que passeio por, pelo menos, 3 revistas de mala. Eu nem consegui comer o que queria no café da manhã, eu pedi uma coisa e a moça de deu outra, como sempre. Mas como tudo fica bem quando acaba bem, embarquei e voltei para minha casinha em Israel com muita história para contar.

 

 

 

 

Comer bem, que mal tem?

Apesar da população do geral não estar aparentemente acima do peso, as comidas oferecidas são deveras gordurosas (pelo menos as baratas). Ao mesmo tempo, dizem que Tel Aviv tem as melhores opções vegetarianas do mundo, que estão em todas as esquinas da cidade.20160902_145236

Nesses meses posso dizer que eu comi muito bem quando fui a restaurantes e bares. O problemas de fazer isso é que os preços são bem salgados.

Quando o orçamento é baixo, você acaba recorrendo às comidas típicas e baratas que são: Falafel, hummus, sabich, shakshuka, shawarma e outras. Claro que em cada lugar o preço varia, e você encontra versões baratas e caras dessas iguarias.

Todos os israelenses podem falar que vão levar você para comer o melhor hummus do mundo. Com certeza muitos concordam com a minha escolha quando eu digo que o melhor fica em Yafo. Seu nome? Abu Hassan. Se estiver passando por Yafo, vá conferir, ou mude sua rota de passeios para chegar lá porque vale a pena.IMG_20170406_134947

Se você puder desembolsar um pouco mais, as opções são diversas (e muito boas). Entre os meus favoritos estão o Benedict (com um conceito de café da manhã 24h); Max Brenner (o forte são os chocolates, mas o menu executivo do almoço é muito bom); Rustico (pizza incrível, a de abobrinha com um ovo de gema mole no meio é sensacional); Okinawa (apesar de estranho, me provaram que abacate no sushi não é tão ruim quanto parece). Eu poderia continuar essa lista para sempre mas deixo vocês descobrirem seus lugares favoritos sozinhos. Explorar é a melhor parte da viagem.

Antes que eu me esqueça, preciso falar sobre o restaurante cujo nome é “O Restaurante” (המסעדה). Os pratos são bem servidos e deliciosos mas, o melhor, é o preço. Os pratos principais custam apenas 30 shkalim, as entradas custam 15, e as sobremesas também. Ele é o melhor restaurante para ir quando você quer comer bem sem gastar muito.

Tel Aviv – Yafo conta com uma vasta variedade de restaurantes para todos os gostos e bolsos e a melhor parte da aventura é encontrar um restaurante para ser o seu lugar especial, que você quer apresentar para todo mundo.

 

Fazendo compras

Sair para comer em Tel Aviv é bem caro (assim como em qualquer lugar) então cozinhar em casa é a solução mais barata que você encontra.

Existem várias franquias de supermercados por aqui, alguns mais parecidos com o “Pão de Açúcar”, o Tiv Taam (טיב טעם) , outros mais com uma cara de “Walmart” (e o preferido da casa), o Rami Levi (רמי לוי). Também tem o Super Cofix, onde tudo custa 5 (sim, 5) shkalim, mas nem sempre vale a pena comprar lá, algumas coisas podem sair mais caro do que em outros lugares. Tudo depende da sua disponibilidade de ir a mercados maiores e pesquisar preços. 20160919_133330

Se você tiver preguiça, provavelmente vai acabar fazendo as compras da semana no AMPM e gastando um pouco mais. Uma vez eu estava com preguiça e comprei uma salada pronta lá por 30 shkalim. Não valeu.

Os produtos encontrados são dos mais variados. Frutas e verduras são relativamente baratas. Os congelados pesam um pouco mais no bolso. Queijos são caros, e no começo foi difícil para a gente diferenciar o pote do queijo cottage do pote de Labneh. Compramos errado muitas vezes.

Se for comprar manteiga no Super Cofix, compre a de barra e não a de pote, juro que ela não derrete. Não compre o queijo que vem no pacote de plástico, é só uma fatia grossa de queijo. Eu comprei algumas vezes o filé de peixe mas, peixe por 5 shkalim não deve ser peixe de verdade. O maior custo-beneficio são os pacotes de amendoim.

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Fazer as compras do mês no Rami Levi (vamos no de Bat Yam) é uma experiência divertida. São corredores e corredores de coisas coloridas e sempre vem aquela vontade de comprar tudo. Você engorda só de olhar o corredor de doces. Chocolate da vaquinha (שוקולד פרה) barato minha gente! Algumas vezes encontramos vinhos por 10 shkalim, não era o melhor vinho do mundo mas quando você está no budget, a qualidade vem em segundo lugar. Melhor lugar para comprar – e estocar – azeite e queijo ralado. Sexta-feira a fila é colossal, mas vale a pena.

Não esqueça de devolver o carrinho, ou você perde os 10 shkalim que colocou nele para usar – sim, esquecemos de devolver uma vez. E deixe o recibo das compras em mãos, ou o senhor da saída não vai deixar você sair de jeito nenhum.

Antes de descobrir esse mercado dos sonhos, costumávamos ir no Super Shuk de Yafo, que fica bem mais perto do que Bat Yam. No começo era muito bom, afinal, eu pagava 32 por 2 potes de Ben & Jerry’s. Era um mercado farto. Era. Suspeitamos que ele está falindo porque tem cada vez mais espaço vazio nas prateleiras. 20160919_133201

Nem todas as moças do caixa do Super Shuk falam inglês, mas se você tiver algum problema, é só chamar o Ilan. Em 5 minutos lá você vai ouvir as moças gritando o nome desse coitado umas 50 vezes.

 

 

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A CASA RECOMENDA

  • A. L – Batatinhas do pacote laranja: “Em excesso podem fazer mal para seu estômago, mas vale cada batatinha”.
  • J. R – Bamba: “A melhor larica da madrugada”.
  • E. B – Tehina: “Combina com qualquer coisa. Do sorvete à salada”.
  • H. G – Hummus do potão: “Café da manhã, almoço e jantar”

 

A CASA NÃO RECOMENDA

  • A. L – Qualquer sopa instantânea: “Juro que tentei, mas não encontrei nenhuma que tenha um gosto decente”.
  • J. R – Pepino: “Não tem gosto de nada, não serve para nada e deveria ser banido”.
  • E. B – Pasta de tâmaras: ” “Humm, panqueca com Nutella!” Não se iluda, é pasta de tâmaras”.
  • H. G – Labneh: “O erro de todos os queijos”.

 

 

 

 

 

Pessach em Israel

Também conhecido como a “Páscoa Judaica”, o Pessach é, na minha opinião, uma das melhores festas. É a festa em que se comemora a libertação do povo judeu da escravidão no Egito.

As famílias se reúnem para o Seder de Pessach, onde lê-se a hagadá e segue-se os passos pedidos. Não vou me estender muito explicando cada ponto, mas posso adiantar que algumas comidas são obrigatórias, e consumidas em determinada ordem durante a leitura da hagadá de Pessach. E, claro, beber quatro copos de vinho é obrigação!

Você pode encontrar mais informações no site do Chabad.

Em Israel, eu passei a primeira noite com a família da minha amiga. Foi um pouco diferente de como eu estava acostumada com minha família em São Paulo, mas foi muito legal. Fiquei imensamente feliz por ter sido convidada.

A hagadá foi lida em uma velocidade nunca antes vista por mim, as músicas foram parcialmente cantadas, mas nada supera a tia da minha amiga levantando para pegar o jornal e mostrar os estilos de cabelo do Bibi (Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel) nos últimos anos. Foi bem divertido. Acabando, chegou a hora de comer.

O problema do Pessach é que a gente come, e come muito. No fim, respirar doía. Entre gefilte fish, kneidalach, casquinha de siri (com peixe e não siri) e arroz com passas, eu ganhei uns 8 quilos. Comida judaica é irresistível, ainda bem que é uma vez por ano.

Durante o Pessach não se come pão, apenas matzá (pão sem fermento). É difícil encontrar pão na cidade durante os dias da festa. Muitas lojas de hummus, por exemplo, não abrem (pelo menos perto do meu trabalho).

Cada um tem uma experiência de Pessach diferente, e eu fiquei extremamente contente com a minha. Que venha ano que vem!