O Negev + Festival de Música

Israel é um país bem pequeno, e tem apenas 20.770 km² de extensão. O estado de Sergipe tem 21.910 km².

Apesar disso, a geografia local é bem diversa. No inverno, é possível encontrar neve no norte do país e, ao mesmo tempo, ao sul temos… deserto. Sim, deserto.20161104_110315

O Negev é o nome dado ao deserto daqui, que ocupa mais da metade do território. Muitas cidades se espalham pela região e há até uma universidade, a Universidade Ben-Gurion do Negev, localizada em Beer-Sheva (באר שבע).

É possível fazer diversas caminhadas e passeios no local. Você pode até conhecer os beduínos que moram por lá e, claro, camelos.

A paisagem não muda muito, afinal, é um deserto. Montes, montanhas, rochas e areia. Ainda assim, é possível encontrar a flora local, que se adaptou bem à região.

Durante o tempo que passei aqui, fiz diversos passeios nesse quente (e frio) e deserto. Entre eles: rapel em Mitzpe Ramon (מצפה רמון), passar a noite em uma tenda beduína, caminhada no deserto na região de Eilat e, o meu favorito, um festival de música.

20161028_104903Em outubro de 2016, eu e um amigo fomos ao festival InDnegev, como o nome diz, um festival de música indie. Muitas das bandas cantavam em inglês então a língua não foi um problema nesse quesito. Pegamos uma barraca emprestada e começamos nossa aventura de 3 dias de festival. Foram 3 horas, 2 ônibus e ainda fizemos amigas alemãs no caminho.

Como chegamos à noite, estava meio frio. Armamos a barraca defeituosa, jogamos a comida dentro, e fomos aproveitar o festival. A primeira música que eu ouvi era em português, e as pessoas curtiram muito.

Como a barraca foi ao chão na segunda noite, eu me enrolei em um cobertor e dormi na areia. Acordei com um Besouro olhando para a minha cara (ou ele só queria passar por cima de mim mesmo).

O ponto alto da viagem foi ver o sol nascer enquanto a cantora Nessi Gomes realizava sua apresentação. É de tirar o fôlego. Depois disso, enquanto a maioria das pessoas ainda dormia, eu fui conferir as outras atrações. Como era cedo, a banda que eu fui ver, “Jewish Monkeys”, não tinha plateia suficiente. Depois de uma música eles pararam e esperaram mais pessoas.20161029_065704

Entre as atividades realizadas nesse meio tempo, percebi que as pessoas gostavam de: desenhar, jogar frisbee, e brincar de bambolê (e elas são muito boas nisso).

No último dia, meu amigo queria ficar mais e eu já precisava de um banho. É difícil ficar dois dias sem banho, só no baby wipes e no shampoo seco. Havia alguns chuveiros mas eu não fui preparada para banhos de verdade.

Como os ônibus iam demorar para começar a passar, eu sentei na frente da saída mostrando uma folha que consistia em um pedido de carona para Tel Aviv. Em meia hora eu consegui, e duas meninas e um menino super gentis me ofereceram uma carona. Não precisei nem pagar a gasolina e cheguei em casa sã e salva.

 

Viagem a Stuttgart – Parte 1

Em uma espontânea conversa com um amigo em janeiro, decidimos ir para Stuttgart (Alemanha) assistir ao concerto do filme O Senhor dos Anéis. Abril chegou e lá fomos nós, eu saindo de Israel e ele de Malta. Uma das grandes vantagens de morar por aqui é que as passagens para a Europa e arredores são mais acessíveis.

IMG_20170414_155910DIA 1

Chegando lá eu ia esperar meu amigo no aeroporto mas, como ia demorar, liguei o modo Amanda, a exploradora, eu resolvi ir para o AirBnb sozinha. Demorei um pouco para me entender com a máquina de comprar as passagens do trem, mas no fim deu certo (só que eu esqueci de validar). Peguei o metrô no aeroporto e depois troquei para um bonde ou algo assim.

Pela janela do bonde, me apaixonei um pouco pela cidade, cheia de árvores e casinhas muito lindas. Como era feriado, tudo estava silencioso. Cheguei no ponto da casa e encontrei o prédio.

A questão foi: meu amigo me disse que a chave estava em uma caixa do correio, mas não qual. Como eu não ia abrir as caixas alheias, resolvi esperar. Uma moradora me deixou entrar e me passou a senha do wi-fi. Fiquei na escadaria passando frio por 3 horas até que ele me passou qual caixa e qual era o apartamento.

Quando ele chegou, saímos para procurar algo para comer. Fomos em direção ao centro e, para chegar lá, descemos escadas que não eram muito convidativas durante a noite -no Brasil seria um local propício para assaltos. Saindo de lá, eu avistei uma rua cheia de luzes e com algumas pessoas, parecia ter algo bom acontecendo, talvez bares e restaurantes animados. De fato havia, mas não para mim, visto que fomos parar em uma rua composta por puteiros.
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Andamos sem encontrar nada muito interessante, além de partes da rua que perdiam a calçada, do nada. No fim das contas entramos no restaurante Einstein e comemos uma pizza sem queijo acompanhada da nossa primeira cerveja da viagem!

DIA 2

Pela manhã fomos ao festival de primavera (Frühlingsfest). Resolvemos ir andando para passar por um parque no caminho. Era bem longe, mas foi bom para conhecer mais partes bonitas da cidade. O parque era enorme, cheio de lagos, patos, e havia até tabuleiros de xadrez gigantes e banheiros no meio do nada.

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O festival é um dos maiores da Europa, e não é para menos. Sempre havia algo que eu não percebi antes. Barracas de comida (salsichas, frutas com chocolate, vários tipos de amendoim, cerveja), barracas de jogos (pescaria, arco e flecha, tiro, dardos), e brinquedos típicos de parque de diversões, como roda gigante e montanha russa – os quais eu passo longe.

Algumas casas abrigavam festas separadas. Entramos em uma, que estava cheia de pessoas vestindo roupas típicas, dançando nas mesas e tomando cerveja em canecas maiores do que a minha cabeça. Muitas pessoas caíam, mas a cerveja estava sempre lá. Eu não podia sair sem tomar uma, é claro.

IMG_20170415_133310_1Passamos uma boa parte do festival observando as pessoas e ouvindo as mesmas músicas diversas vezes. Aparentemente havia a musica do brinde que, toda que tocava, as pessoas brindavam. Um grupo de coreanos sentou perto da gente e estavam super quietos. Fui tentar puxar papo e, para a minha surpresa, eles estudavam lá e só falavam alemão, apenas um falava inglês – eles beberam a cerveja mais rápido do que eu.

Voltamos para casa e nos preparamos para o grande momento da viagem: o concerto. Coloquei meu vestido bonito, salto na bolsa e lá fomos nós.

Chegamos ao Liederhalle e já estava cheio de pessoas. Do começo ao fim, não ouvimos ninguém falando em outro idioma que não alemão. Poucos se aventuram dessa forma. Tirei foto com o “pôster” do evento para guardar de recordação, comprei um livreto do concerto, e fomos para a sala. Fileira 4.

Eu pensei que seriam apenas algumas cenas, mas assistimos ao filme do começo ao fim (com um intervalo) e toda a trilha sonora foi feita ali, na minha frente, com um coral, violinos, cellos… foi emocionante. Uma das musicas que eu mais gosto é “Concerning Hobbits” e confesso que quase chorei quando ela começou. Um dos violinistas me chamou atenção, por parece mais… “lá” do que os demais, não sei como explicar.

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Foi um dia inesquecível que vai deixar saudades. Quem sabe se der na telha eu vou assistir as continuações?

Terminamos a noite com uma pizza de 5€ sensacional no único lugar aberto perto do apartamento. Ele também tinham falafel, mas não. Estava frio demais para ir mais longe.