E os finais de semana?

Primeiro, eu tive que me acostumar com o fato de que: Quinta é sexta, sexta é sábado, e domingo eu trabalho. Ou seja, enquanto as pessoas assistem “Domingão do Faustão”, eu estou trabalhando – caso não houvesse fuso horário.

O ideal por aqui, é sair na quinta-feira à noite, uma vez que do final do dia de sexta até o começo da noite de sábado os ônibus não circulam por motivos de: Shabat. Sair sexta-feira é sinônimo de andar muito ou gastar 1/3 do valor do seu rim com táxis (que vão tentar tirar cada centavo de turistas).

Não sou a pessoa mais festeira do mundo, então dicas das melhores baladas vão ficar para a próxima vez, mas existem outras coisas para se fazer por aqui.

18471180_1549794185053457_1648080127_n

Cada pessoa tem suas preferências, mas uma é quase unânime: praia no verão. Sexta-feira sem ônibus? Uma caminhada de 30 minutos e chego na Banana Beach – uma praia de Tel Aviv. Passar o dia/tarde na sombrinha ou no sol, se você quiser dar aquela torrada, é um ótimo plano muitas vezes.

18447730_1347762028605562_1902219298_nEm Yafo, temos o Shuk Hapishpeshim (nosso mercado das pulgas), que durante a semana tem várias lojas de artigos usados, souvenirs e restaurantes pela manhã. Nos finais de semana à noite a figura muda, e o espaço dá lugar a bares descontraídos e lotados. O meu preferido é o Akbar, que tem musicas boas, bom atendimento, e batatinhas fritas com queijo e limão.

 

Recentemente comecei a ir a um evento de “troca de idiomas” chamado FluenTLV, onde eu me inscrevo como embaixadora da minha língua nativa – português – e ajudo pessoas que sabem o básico a praticarem. Na outra parte da noite eu vou praticar meu pobre hebraico. É uma boa opção para o sábado a noite.

18448045_1549824888383720_1512100171_n

 

Sair sozinha aqui não é um problema. Se não tiver ninguém para sair com você, só vai. Existem centenas de bares na Rothschild – sou fã do Polly – ou na Allenby, sempre lotados e cheios de pessoas simpáticas. Sair de algum deles sem bater papo com alguém é impossível. Se você, assim como eu, tem um lado meio geek, o Potion Bar é o seu lugar. Bebidas temáticas servidas em recipientes de poções e hidromel esperam os visitantes – além do bom atendimento e a mesa de sinuca.

18471590_1549819355050940_1459870918_n

Sempre existem eventos diversos acontecendo pela cidade, e só procurar o seu. O melhor lugar para isso é o Secret Tel Aviv, que sempre conta com uma lista atualizada do que está acontecendo na cidade. Você também pode pegar esse cartão deles, que dá direito a descontos e promoções em vários lugares.

 

Por vezes, você pode acabar andando por aí e descobrindo eventos e atividades das quais não tinha conhecimento. Eu, por exemplo, acabei vendo a “Marcha das Vadias” daqui em uma caminhada sem destino.

18471243_1549830455049830_1752692715_n

 

Anúncios

Cães e Gatos

No Brasil, vemos milhares de cães e gatos nas ruas, mal tratados e sem rumo. Aqui é um pouco diferente.

Animais de estimação, principalmente cachorros, são amados por todos. É difícil encontrar cães abandonados, já os gatos… estão em todos os lugares. Mesmo assim, eles ainda são bem tratados de certa forma, uma vez que moradores e estabelecimentos deixam ração e comida nas ruas para os felinos.

No lugar onde moro, temos pelo menos os mesmo quatro gatos rondando e, um deles, gosta de cantar de madrugada.380da589-037c-4468-8b0b-a8661a4333eb

Os cachorros estão por todas as partes, e às vezes eu acho que eles são tão felizes que sorriem. Aqui, até ônibus eles podem pegar e ninguém vai reclamar (é mais fácil reclamarem que você está falando alto). Eles podem entrar em qualquer lugar praticamente. Uma vez eu fui a um bar de ambiente fechado, e lá estava um canino.

Tel Aviv é uma das cidades mais ‘dog-friendly’ do mundo e conta com 1 cachorro para cada 17 habitantes. O bairro Florentin conta com o maior número de donos de cachorros do que qualquer outro lugar – são muitos cachorros.

Não é para menos que eles são tratados como reis. Os abrigos não abatem os bichinhos, denuncias de abuso são atendidas prontamente, e os animais abandonados tem até atendimento veterinário. Aqui é definitivamente um bom lugar para ser um cachorro (ou gato).

 

Yom HaZikaron e Yom HaAtzmaut

No início da noite do dia 30 de abril, deu-se início ao Yom Hazikaron. Assim como Yom HaShoah, é um dia de lembrança. Dessa vez, a todos os soldados que morreram nas guerras desde o início da construção de Israel, assim como as vítimas do terrorismo que assola o país.

Às 20h00 do dia 30, uma sirene com duração de 1 minuto ecoou no país, carros e pessoas pararam em lembrança. Todo o comércio também foi encerrado no início da noite. Eu havia ido com meus colegas de classe do Ulpan para a rua e, ao final, fui para casa.

yom
Foto: Myy Jeraffi

Na manhã seguinte, mais precisamente às 11h00, a sirene soou novamente. Dessa vez eu estava no escritório, e todos fomos para o “quintal” da casa e nos reunimos em silêncio. Em seguida, algumas pessoas leram histórias de pessoas que perderam a vida. Infelizmente, não foram poucos.

No início da noite de 1 de maio começou o dia mais feliz do país: o dia da independência de Israel. É um dia de comemoração e alegria, justamente após um dia de tamanha tristeza. Pode parecer não tem sentido, mas com alguma reflexão, é possível entender. Deixo essa reflexão por conta de cada um.

18280184_1540904489275760_946730376_n

Houve uma grande festa, com shows e fogos de artifício (maravilhosos) na Kikar Rabin. A maioria das pessoas na rua eram crianças e adolescente, todos cheios de energia e alegria comemorando os 69 anos de Israel. Bandeiras e adereços com sua imagem eram vistos por toda parte. Na hora da fome rolou aquele hambúrguer vegetariano do Burger King porque eu mereço e o falafel era caro.

Foi de fato uma festa muito animada, e é interessante pensar que o país tem só 69 anos. Em termos de comparação, a cidade de São Paulo tem 463 anos!

avioes
Na manhã seguinte, houve uma “apresentação” com aviões, e fui com meus amigos ver da praia. Foi bem divertido, apesar de algumas vezes parecer que eles só queriam mostrar sua enorme coleção de aviões.

 

 

 

Acontece em Yafo

Era uma quarta-feira a tarde, quando eu e minha amiga decidimos ir comer um malabi – uma espécie de pudim de leite com essência de rosas que tem gosto de mingau de maisena – aqui perto de casa.18191465_1535620929804116_619518715_n

Compramos o doce e comemos na divisória arborizada entre as faixas de carro da Sderot Yerushalayim. A opção para comer na hora era bem grande, e no final já estávamos mais do que satisfeitas.

Depois, minha amiga queria ver quanto custava um knafeh – doce árabe com queijo branco – em uma loja lá perto. Entramos na loja, e vimos o doce que já estava perto do fim. O atendente/gerente disse que o pedaço custava 20 nis (cerca de R$18,00) o que é meio caro.

Ele perguntou de onde nós somos, e disse que ia dar um “pedacinho” para experimentarmos. Sentamos na mesinha e ele chegou com dois pratos com um pedaço gigante do doce (foi bem difícil comer tudo). Ele disse que ia fazer um novo naquela hora e perguntou se a gente queria ver como era. Claro que fomos.

18191205_1535621186470757_1866190816_n

Enquanto trabalhava, explicava o que estava fazendo, os ingredientes, e ainda conversamos sobre outras coisas. Seu nome é Fadi, e ele é um árabe-cristão que mora com o dono do lugar.

Depois que ele terminou, nós três sentamos em uma mesa e conversamos por mais de 1 hora. Falamos sobre o conflito em Israel, sobre o preconceito que existe aqui, em suas mais variadas formas, até mesmo entre judeus. Ele brincou que ninguém gosta dos árabes-cristãos, mas que muitos dizem que eles são as melhores pessoas.

Contamos sobre o Brasil e sua atual situação. Ele achou que a violência era só nos filmes, e não de verdade. Ele também disse que ele pode nos ensinar hebraico de graça. Só ir lá com as dúvidas e ele ajuda.18191574_1535620856470790_1740541385_n

Quem diria que um passeio de 15 minutos se transformou em um encontro tão interessante, que nos rendeu algum aprendizado sobre o país em que vivemos? As pessoas por aqui tendem a ser muito abertas e dispostas a ajudar. Você nunca sabe o que pode encontrar nas esquinas de Yafo.

Se quiserem ir visitar o lugar e comer um knafeh sensacional:

Motran Candy – Yerushalaim Ave 84, Tel Aviv-Yafo

Yom HaShoah

Entre o início da noite de ontem (23) até o início da noite de hoje aconteceu o Yom HaShoah (Dia da lembrança do Holocausto).

É o dia em que lembramos as 11 milhões de pessoas que foram mortas durante o Holocausto. Tantas vidas e histórias que se perderam. Muitos sobreviveram para contar sua história, continuaram vivendo, mas nunca mais foram os mesmos.

18119220_1427554593968638_8467418587164834975_n

Ontem fui a um encontro, onde um dos sobreviventes compartilhou sua história conosco. Avraham contou que vivia em Viena, e deu alguns detalhes da sua infância antes e durante a chegada do nazismo ao país. Muitas de suas histórias parecem irreais, impossíveis de imaginar nos dias de hoje, e possivelmente naqueles dias também, até que aconteceu.

Ao falar do dia em que viu seu pai pela última vez, o carismático senhor se emocionou. E como não? Como aceitar que, por uma “crença” infundada, tantas crianças se despediram de seus pais tão cedo?

Hoje (24), às 10h, sirenes tocaram em todo o país durante dois minutos. Nesse intervalo, todas as pessoas pararam o que estavam fazendo, fizeram silêncio, e refletiram. Lembrar para jamais esquecer.

18073246_1531578826874993_740982379_n

Pessoas imóveis na rua, todos desceram de seus carros, parecia uma foto. Eu estava no trabalho, mas fui para a rua no momento e o que vi foi de tirar o fôlego. Um senhor do outro lado da rua não se movia, o vendedor do falafel manteve a cabeça baixa por todo o tempo, assim como o moço que passeava com seu cachorro ao meu lado.

Não filmei por achar que não era o momento, mas encontrei um vídeo em que vocês podem ver como foi. É só clicar aqui.

First They Came for the Jews

First they came for the Jews
and I did not speak out
because I was not a Jew.

Then they came for the Communists
and I did not speak out
because I was not a Communist.

Then they came for the trade unionists
and I did not speak out
because I was not a trade unionist.

Then they came for me
and there was no one left
to speak out for me.

– Martin Niemöller

Pessach em Israel

Também conhecido como a “Páscoa Judaica”, o Pessach é, na minha opinião, uma das melhores festas. É a festa em que se comemora a libertação do povo judeu da escravidão no Egito.

As famílias se reúnem para o Seder de Pessach, onde lê-se a hagadá e segue-se os passos pedidos. Não vou me estender muito explicando cada ponto, mas posso adiantar que algumas comidas são obrigatórias, e consumidas em determinada ordem durante a leitura da hagadá de Pessach. E, claro, beber quatro copos de vinho é obrigação!

Você pode encontrar mais informações no site do Chabad.

Em Israel, eu passei a primeira noite com a família da minha amiga. Foi um pouco diferente de como eu estava acostumada com minha família em São Paulo, mas foi muito legal. Fiquei imensamente feliz por ter sido convidada.

A hagadá foi lida em uma velocidade nunca antes vista por mim, as músicas foram parcialmente cantadas, mas nada supera a tia da minha amiga levantando para pegar o jornal e mostrar os estilos de cabelo do Bibi (Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel) nos últimos anos. Foi bem divertido. Acabando, chegou a hora de comer.

O problema do Pessach é que a gente come, e come muito. No fim, respirar doía. Entre gefilte fish, kneidalach, casquinha de siri (com peixe e não siri) e arroz com passas, eu ganhei uns 8 quilos. Comida judaica é irresistível, ainda bem que é uma vez por ano.

Durante o Pessach não se come pão, apenas matzá (pão sem fermento). É difícil encontrar pão na cidade durante os dias da festa. Muitas lojas de hummus, por exemplo, não abrem (pelo menos perto do meu trabalho).

Cada um tem uma experiência de Pessach diferente, e eu fiquei extremamente contente com a minha. Que venha ano que vem!

Você fala hebraico?

Não.

Cheguei aqui com um vocabulário

Agora retomei meus estudos no Ulpan Gordon, além de usar o Duolingo (aplicativo) que ajuda bastante. Como eu já aprendi um básico do básico anteriormente, as primeiras aulas foram fáceis. Já agora…

Viver em Israel sem saber hebraico é impossível, pelo menos para mim. Sim, muitas pessoas falam inglês. Sim, brasileiros estão por toda parte. Mas não é a mesma coisa.

Se você for a um restaurante no centro, é bem provável que você encontre atendentes que falem inglês, além de um cardápio em inglês. Mas se decidir ir na vendinha de hummus em Yafo, pode ser que não tenha a mesma sorte. Em último caso, a mímica é sempre uma boa saída.

Algumas palavras você vai aprendendo no dia a dia, ao ver as pessoas utilizando em seu devido contexto. Uma das palavras que eu mais gosto é “Nág” (נהג), que significa “motorista”. Ao gritar dentro do ônibus, ela se torna o nosso famoso “vai descer”.

Quando eu tento falar com alguém que não sabe inglês, eu vou arriscando meu hebraico super básico (que envolve basicamente números e comida) para tentar conseguir o que preciso. Geralmente funciona. O problema é que começar uma conversa em hebraico pode dar a entender que eu sei mais do que aquilo, aí complica a situação.

Uma das frases que eu mais usei aqui é: “Ani lo medaberet ivrit” ( אני לא מדברת עברית), que signfica “eu não falo hebraico”.

17909510_1516368841729325_1476001367_n

 

Explorar é arte, turistar faz parte

Nada como explorar a cidade e o país em que vivemos, descobrir cantos únicos que você quer contar para todos, o melhor hummus, o melhor lugar para um narguille.

Além desses pequenos locais, temos os pontos turísticos que devem ser visitados ao menos uma vez. No meu caso, essa foi a segunda vez em alguns.

Os lugares da vez são: Masada, En Gedi, e Mar Morto.

Para poupar o trabalho de procurar ônibus e afins, meu pai e eu fomos com um grupo de turistas através do Tourist Israel. Apesar do problema de atraso de 1 hora, o resto da viagem correu bem.

Com meu preparo físico de uma abobrinha, começamos a subir o Masada por volta das 5:00 para poder ver o nascer do Sol. Só encontramos o Snake Path, que é mais difícil do que a ladeira que fica do outro lado, mas era o que tinha. Com várias paradas, muitas pedras e muita água, chegamos no topo às 6:30. O Sol começou a nascer no meio do caminho, mas não desistimos e valeu a pena! É realmente um passeio único para fazer pelo menos uma vez na vida.

A descida foi mais sossegada, e levou cerca de 40 minutos.

A segunda parte, foi o En Gedi, onde eu esperava encontrar vários Íbex, mas só encontrei ratos, digo, damões. Não havia muito o que ver por lá, além de futuros noivos tirando fotos de casamento na cascata. Ah, e claro, mais escadas, como se as do Masada já não tivessem sido o suficiente.

Na parada final, fomos para o Mar Morto, o ponto mais baixo do mundo! Eu fui com o Taglit na minha primeira vez em Israel, mas confesso que foi mais prazeroso entrar no mar com 20 ºC ao invés de 5 ºC.

Você acaba boiando na água até mesmo se não quiser. Sim, eu boiei involuntariamente diversas vezes. Cuidado com as pedras de sal, são bem pontiagudas e fazem diversos cortes (não muito profundos) na pele, mas você mal sente. É uma mistura de coisinhas afiadas e lama, uma sensação deveras interessante.

Mulheres de Burquíni e biquíni, crianças, senhores, enfim, todo mundo junto. Uma visão que, quem vem de fora, pode pensar que não existe.

Ficamos esperando as outras pessoas saírem enquanto eu apreciava meu Ice Passiflora (raspadinha de maracujá) que pedi em hebraico. O vendedor achou que eu soubesse falar mais do que aquilo (de fato eu sei, mas não o que ele havia falado). Até que apareceu um moço com um camelo, que ficou deitado na sombra da árvore com o mar ao fundo. Uma imagem tipicamente israelense-turística.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Um passeio tortuoso

Era apenas um dia em Golan Heights. O que era para ser um passeio de bicicleta seguido de uma caminhada se tornou mais emocionante do que deveria.

Para começar, precisamos percorrer 10 km de bicicleta. Caro leitor, tenha em mente que eu aprendi a andar de bicicleta há 4 anos e nunca pratiquei depois disso. Não foi uma das experiências mais fáceis da minha vida mas, apesar dos galhos que me acertaram, a missão foi concluída com êxito.

Infelizmente, nem todos saíram ilesos. Quando já estava sentindo o cheiro da pizza que nos aguardava, minha amiga caiu da bicicleta e não foi nem um pouco prazeroso.

Na segunda parte desse dia incrível, fizemos uma caminhada pelas montanhas no Golan. Estava quente, muito quente. A música cujo refrão é “O sol estava quente e queimou a nossa cara” nunca foi tão real, só faltou o deserto do Saara.

Tudo corria bem, até que… cadê todo mundo? Em resumo, eu e mais algumas pessoas se separaram do resto do grupo. Viva o sedentarismo e o companheirismo! Andamos um pouco tentando encontrar o grupo, mas desistimos. Havia um médico (muito bonito) com a gente que estava tentando ligar para o guia, mas não foi muito útil.

Ficamos lá, admirando a paisagem e suando como porcos. Após cerca de 1 hora perdidos e esperando ajuda, o guia e um dos coordenadores deram as caras, e começamos a andar para nosso destino inicial.

Para alcançar o grupo que já estava no lago em que deveríamos estar, precisamos fazer um caminho nada comum que consistia em: andar dentro de um riacho. Eu, com meus incríveis 1,56 de altura, não achei a ideia nem um pouco agradável, ainda mais com aranhas estranhas e peixes no caminho. De mãos dadas, lá fomos nós.

Ao sair do riacho, o que eu mais temia aconteceu. Eu caí. Por sorte só ganhei um roxo enorme na perna e uma batidinha na cabeça. A essa altura, eu só queria afogar alguém.

Chegamos ao maldito lago, onde todos se divertiam. Sentei em uma pedra e lá fiquei até voltarmos para o ônibus. Um dos amigos que se perdeu comigo se jogou no lago e quase se afogou.

Hoje essa é uma história engraçada, e posso dizer que foi uma grande aventura.

20160907_141546.jpg

Vivendo com (des)conhecidas

Ao embarcar no avião, os desafios começam. Talvez o maior deles seja conhecer novas pessoas, ou melhor, viver com novas pessoas.

Ao se inscrever no programa, é difícil saber o que ou quem lhe aguarda em seu novo lar. No meu caso, eu tinha uma ideia, uma vez que conversei com minhas futuras roommates/colegas de quarto/ שותפות antes de chegar aqui.

No começo você não tem certeza se isso poderia dar certo. Pessoas diferentes convivendo em um pequeno espaço por alguns meses. No meu caso, foi uma empreitada bem sucedida.

Nunca vou esquecer o dia que uma das meninas queria conversar comigo antes da chegada para “termos uma boa convivência no futuro”. Aparentemente o fato de eu gostar de séries de TV, quadrinhos e afins me torna uma pessoa possivelmente implicante.

Apesar de elas não acreditarem, sou imensamente grata pela companhia. Eu provavelmente não teria ficado em um segundo programa se não fosse por elas, e acho que elas também não. E os planos continuam.

Em nossa trilha, tivemos brigadeiros queimados, arroz empapado, macarrão, cuscuz, choro, TPM, conversas até as 2 da manhã, frustrações amorosas, e a lista segue.

Tradutora, Administradora, Designer e Engenheira. Paulistas e Cariocas. Biscoito e Bolacha. Uma possível receita para o desastre se tornou o que chamamos de um “case de sucesso”.

Juntas construímos um ambiente próprio que deu certo. De compras a limpeza da casa, tudo foi discutido, debatido até que funcionou. Por vezes a louça fica na pia mais tempo do que deveria, mas quem nunca?

Cada dia são mais experiências, novas histórias compartilhadas, e novas batalhas pela frente. O bom é que, no fim das contas, estamos juntas no mesmo barco.

“You will meet many foes, some open, and some disguised; and you may find friends along your way when you least look for it.” – Elrond

bf0b4741-6cb5-400b-a843-1a2f30b8137c