Comer bem, que mal tem?

Apesar da população do geral não estar aparentemente acima do peso, as comidas oferecidas são deveras gordurosas (pelo menos as baratas). Ao mesmo tempo, dizem que Tel Aviv tem as melhores opções vegetarianas do mundo, que estão em todas as esquinas da cidade.20160902_145236

Nesses meses posso dizer que eu comi muito bem quando fui a restaurantes e bares. O problemas de fazer isso é que os preços são bem salgados.

Quando o orçamento é baixo, você acaba recorrendo às comidas típicas e baratas que são: Falafel, hummus, sabich, shakshuka, shawarma e outras. Claro que em cada lugar o preço varia, e você encontra versões baratas e caras dessas iguarias.

Todos os israelenses podem falar que vão levar você para comer o melhor hummus do mundo. Com certeza muitos concordam com a minha escolha quando eu digo que o melhor fica em Yafo. Seu nome? Abu Hassan. Se estiver passando por Yafo, vá conferir, ou mude sua rota de passeios para chegar lá porque vale a pena.IMG_20170406_134947

Se você puder desembolsar um pouco mais, as opções são diversas (e muito boas). Entre os meus favoritos estão o Benedict (com um conceito de café da manhã 24h); Max Brenner (o forte são os chocolates, mas o menu executivo do almoço é muito bom); Rustico (pizza incrível, a de abobrinha com um ovo de gema mole no meio é sensacional); Okinawa (apesar de estranho, me provaram que abacate no sushi não é tão ruim quanto parece). Eu poderia continuar essa lista para sempre mas deixo vocês descobrirem seus lugares favoritos sozinhos. Explorar é a melhor parte da viagem.

Antes que eu me esqueça, preciso falar sobre o restaurante cujo nome é “O Restaurante” (המסעדה). Os pratos são bem servidos e deliciosos mas, o melhor, é o preço. Os pratos principais custam apenas 30 shkalim, as entradas custam 15, e as sobremesas também. Ele é o melhor restaurante para ir quando você quer comer bem sem gastar muito.

Tel Aviv – Yafo conta com uma vasta variedade de restaurantes para todos os gostos e bolsos e a melhor parte da aventura é encontrar um restaurante para ser o seu lugar especial, que você quer apresentar para todo mundo.

 

Fazendo compras

Sair para comer em Tel Aviv é bem caro (assim como em qualquer lugar) então cozinhar em casa é a solução mais barata que você encontra.

Existem várias franquias de supermercados por aqui, alguns mais parecidos com o “Pão de Açúcar”, o Tiv Taam (טיב טעם) , outros mais com uma cara de “Walmart” (e o preferido da casa), o Rami Levi (רמי לוי). Também tem o Super Cofix, onde tudo custa 5 (sim, 5) shkalim, mas nem sempre vale a pena comprar lá, algumas coisas podem sair mais caro do que em outros lugares. Tudo depende da sua disponibilidade de ir a mercados maiores e pesquisar preços. 20160919_133330

Se você tiver preguiça, provavelmente vai acabar fazendo as compras da semana no AMPM e gastando um pouco mais. Uma vez eu estava com preguiça e comprei uma salada pronta lá por 30 shkalim. Não valeu.

Os produtos encontrados são dos mais variados. Frutas e verduras são relativamente baratas. Os congelados pesam um pouco mais no bolso. Queijos são caros, e no começo foi difícil para a gente diferenciar o pote do queijo cottage do pote de Labneh. Compramos errado muitas vezes.

Se for comprar manteiga no Super Cofix, compre a de barra e não a de pote, juro que ela não derrete. Não compre o queijo que vem no pacote de plástico, é só uma fatia grossa de queijo. Eu comprei algumas vezes o filé de peixe mas, peixe por 5 shkalim não deve ser peixe de verdade. O maior custo-beneficio são os pacotes de amendoim.

20160919_141925

Fazer as compras do mês no Rami Levi (vamos no de Bat Yam) é uma experiência divertida. São corredores e corredores de coisas coloridas e sempre vem aquela vontade de comprar tudo. Você engorda só de olhar o corredor de doces. Chocolate da vaquinha (שוקולד פרה) barato minha gente! Algumas vezes encontramos vinhos por 10 shkalim, não era o melhor vinho do mundo mas quando você está no budget, a qualidade vem em segundo lugar. Melhor lugar para comprar – e estocar – azeite e queijo ralado. Sexta-feira a fila é colossal, mas vale a pena.

Não esqueça de devolver o carrinho, ou você perde os 10 shkalim que colocou nele para usar – sim, esquecemos de devolver uma vez. E deixe o recibo das compras em mãos, ou o senhor da saída não vai deixar você sair de jeito nenhum.

Antes de descobrir esse mercado dos sonhos, costumávamos ir no Super Shuk de Yafo, que fica bem mais perto do que Bat Yam. No começo era muito bom, afinal, eu pagava 32 por 2 potes de Ben & Jerry’s. Era um mercado farto. Era. Suspeitamos que ele está falindo porque tem cada vez mais espaço vazio nas prateleiras. 20160919_133201

Nem todas as moças do caixa do Super Shuk falam inglês, mas se você tiver algum problema, é só chamar o Ilan. Em 5 minutos lá você vai ouvir as moças gritando o nome desse coitado umas 50 vezes.

 

 

15895166_1409829919049885_6050805421475454413_n

A CASA RECOMENDA

  • A. L – Batatinhas do pacote laranja: “Em excesso podem fazer mal para seu estômago, mas vale cada batatinha”.
  • J. R – Bamba: “A melhor larica da madrugada”.
  • E. B – Tehina: “Combina com qualquer coisa. Do sorvete à salada”.
  • H. G – Hummus do potão: “Café da manhã, almoço e jantar”

 

A CASA NÃO RECOMENDA

  • A. L – Qualquer sopa instantânea: “Juro que tentei, mas não encontrei nenhuma que tenha um gosto decente”.
  • J. R – Pepino: “Não tem gosto de nada, não serve para nada e deveria ser banido”.
  • E. B – Pasta de tâmaras: ” “Humm, panqueca com Nutella!” Não se iluda, é pasta de tâmaras”.
  • H. G – Labneh: “O erro de todos os queijos”.

 

 

 

 

 

Fiquei doente, e agora?

Se tem uma coisa que eu não recomendo, é ficar doente ou ter qualquer outro problema que seja necessário ir ao médico. Sim, não é algo que podemos controlar mas, se puder, não vá.

Existem diversos Kupat Holim (plano de saúde), mas os que mais ouço falar são o Maccabi e o Clalit. O que recebi do programa é o Clalit.

Por aqui, você não vai direto para o hospital na maioria dos casos. Existem algumas pequenas clínicas espalhadas. Para a minha sorte, tenho uma perto de casa.

IMG_20170405_075154

A primeira vez que eu fui, foi porque eu queria fazer alguns exames de rotina. Chegando lá, foi difícil encontrar alguém que falasse inglês. No fim das contas, nessa clínica existem duas recepcionistas, uma médica e um moço que eu não sem bem o que faz, que sabem falar inglês.  Conseguir um horário com essa única médica é um sufoco.

Os horários de funcionamento são bem estranhos também. Nunca vi clínica fechar para a hora do almoço e depois das 18:00. Espero que ninguém passe mal nesses horários ou durante o Shabat, já que eles não abrem.18554611_1554703427895866_1325352564_n

Uma vez eu fui fazer exames em um lugar que tinha mais cara de hospital do que a clínica – apesar de ser igualmente feio estruturalmente. Foi ainda mais difícil encontrar alguém que falasse inglês ou até mesmo placas. Mas no fim deu tudo certo.

Os médicos que eu passei são bons, e os exames foram feitos bem rápido e sem complicações. O bom é que você nem precisa ir buscar os exames, eles vão direto para o computador do seu médico – family doctor, como eles chamam.

Um dia desses eu estava com dor de ouvido e resolvi ir à clínica sem agendamento e tentar a sorte. Após 1h30 esperando, fiquei 2 minutos na consulta e saí com um remédio para pingar no ouvido. O legal é que eu acho que me estressei tanto na espera que a dor passou e não precisei do remédio.

E os finais de semana?

Primeiro, eu tive que me acostumar com o fato de que: Quinta é sexta, sexta é sábado, e domingo eu trabalho. Ou seja, enquanto as pessoas assistem “Domingão do Faustão”, eu estou trabalhando – caso não houvesse fuso horário.

O ideal por aqui, é sair na quinta-feira à noite, uma vez que do final do dia de sexta até o começo da noite de sábado os ônibus não circulam por motivos de: Shabat. Sair sexta-feira é sinônimo de andar muito ou gastar 1/3 do valor do seu rim com táxis (que vão tentar tirar cada centavo de turistas).

Não sou a pessoa mais festeira do mundo, então dicas das melhores baladas vão ficar para a próxima vez, mas existem outras coisas para se fazer por aqui.

18471180_1549794185053457_1648080127_n

Cada pessoa tem suas preferências, mas uma é quase unânime: praia no verão. Sexta-feira sem ônibus? Uma caminhada de 30 minutos e chego na Banana Beach – uma praia de Tel Aviv. Passar o dia/tarde na sombrinha ou no sol, se você quiser dar aquela torrada, é um ótimo plano muitas vezes.

18447730_1347762028605562_1902219298_nEm Yafo, temos o Shuk Hapishpeshim (nosso mercado das pulgas), que durante a semana tem várias lojas de artigos usados, souvenirs e restaurantes pela manhã. Nos finais de semana à noite a figura muda, e o espaço dá lugar a bares descontraídos e lotados. O meu preferido é o Akbar, que tem musicas boas, bom atendimento, e batatinhas fritas com queijo e limão.

 

Recentemente comecei a ir a um evento de “troca de idiomas” chamado FluenTLV, onde eu me inscrevo como embaixadora da minha língua nativa – português – e ajudo pessoas que sabem o básico a praticarem. Na outra parte da noite eu vou praticar meu pobre hebraico. É uma boa opção para o sábado a noite.

18448045_1549824888383720_1512100171_n

 

Sair sozinha aqui não é um problema. Se não tiver ninguém para sair com você, só vai. Existem centenas de bares na Rothschild – sou fã do Polly – ou na Allenby, sempre lotados e cheios de pessoas simpáticas. Sair de algum deles sem bater papo com alguém é impossível. Se você, assim como eu, tem um lado meio geek, o Potion Bar é o seu lugar. Bebidas temáticas servidas em recipientes de poções e hidromel esperam os visitantes – além do bom atendimento e a mesa de sinuca.

18471590_1549819355050940_1459870918_n

Sempre existem eventos diversos acontecendo pela cidade, e só procurar o seu. O melhor lugar para isso é o Secret Tel Aviv, que sempre conta com uma lista atualizada do que está acontecendo na cidade. Você também pode pegar esse cartão deles, que dá direito a descontos e promoções em vários lugares.

 

Por vezes, você pode acabar andando por aí e descobrindo eventos e atividades das quais não tinha conhecimento. Eu, por exemplo, acabei vendo a “Marcha das Vadias” daqui em uma caminhada sem destino.

18471243_1549830455049830_1752692715_n

 

Acontece em Yafo

Era uma quarta-feira a tarde, quando eu e minha amiga decidimos ir comer um malabi – uma espécie de pudim de leite com essência de rosas que tem gosto de mingau de maisena – aqui perto de casa.18191465_1535620929804116_619518715_n

Compramos o doce e comemos na divisória arborizada entre as faixas de carro da Sderot Yerushalayim. A opção para comer na hora era bem grande, e no final já estávamos mais do que satisfeitas.

Depois, minha amiga queria ver quanto custava um knafeh – doce árabe com queijo branco – em uma loja lá perto. Entramos na loja, e vimos o doce que já estava perto do fim. O atendente/gerente disse que o pedaço custava 20 nis (cerca de R$18,00) o que é meio caro.

Ele perguntou de onde nós somos, e disse que ia dar um “pedacinho” para experimentarmos. Sentamos na mesinha e ele chegou com dois pratos com um pedaço gigante do doce (foi bem difícil comer tudo). Ele disse que ia fazer um novo naquela hora e perguntou se a gente queria ver como era. Claro que fomos.

18191205_1535621186470757_1866190816_n

Enquanto trabalhava, explicava o que estava fazendo, os ingredientes, e ainda conversamos sobre outras coisas. Seu nome é Fadi, e ele é um árabe-cristão que mora com o dono do lugar.

Depois que ele terminou, nós três sentamos em uma mesa e conversamos por mais de 1 hora. Falamos sobre o conflito em Israel, sobre o preconceito que existe aqui, em suas mais variadas formas, até mesmo entre judeus. Ele brincou que ninguém gosta dos árabes-cristãos, mas que muitos dizem que eles são as melhores pessoas.

Contamos sobre o Brasil e sua atual situação. Ele achou que a violência era só nos filmes, e não de verdade. Ele também disse que ele pode nos ensinar hebraico de graça. Só ir lá com as dúvidas e ele ajuda.18191574_1535620856470790_1740541385_n

Quem diria que um passeio de 15 minutos se transformou em um encontro tão interessante, que nos rendeu algum aprendizado sobre o país em que vivemos? As pessoas por aqui tendem a ser muito abertas e dispostas a ajudar. Você nunca sabe o que pode encontrar nas esquinas de Yafo.

Se quiserem ir visitar o lugar e comer um knafeh sensacional:

Motran Candy – Yerushalaim Ave 84, Tel Aviv-Yafo